domingo, 30 de agosto de 2009

o silencio é necesário 2

recolhimento necessário
ao sol
redondando

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ultimamente não tem tido tempo último que não seja primeiro que não seja emergencialmente hoje
ultimamente não dá tempo nem de sentir
e mesmo assim sinto muito

terça-feira, 11 de agosto de 2009

esquizofrenia- 3 diálogos

O que escolheram desde então até aqui coube bem.
Caetano e Gil, Chico e Gal, Nara, Tom, Vinícius... todos esses vieram juntos e eu bebi bem, obrigada.
Comi bem, obrigada.
Enchi a cara, barriga e alma de coisas picadinhas, temperadas, amaciadas. Goela a dentro. Tá tudo ainda coladinho no estômago e transpiram dessa pele aqui.
(saem também nos cantarolares inconscientes, perfumam e colorem os sonhos)
Elas me revelam. Revelam nas próprias palavras.



...e degusto. De gosto; que o sabor também mudou, obrigada.
Os outros estão velhos, eu não estou.
- Desculpe, Eu não está!



Não dá tempo
dá tempo
não dá, tempo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

40

desajuste no peito
nos pequenos gestos
nos olhares trêmulos

desajuste do sono
do cheiro
da cama

um sem fim nem começo
efêmero respiro
suspiro quente
calor na nuca
frio da barriga

um presente
da grande ausência
do olhar que me despe

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Redonda compõe o céu

No chão,
redondos olhos

eu compondo com ela
me recomponho
me recoloco
e convoco sua luz

redonda ela
me olha assim
eu aqui de olhos miúdos, de olhos molhados,
de longe vejo:
redondo tudo,
O mundo, horas!


-Lua,
volto a encher!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

cinza

a chuva derrete
minh'alma
e não para de
c
h
over

segunda-feira, 20 de julho de 2009

libriana:
balança
dois pratos
duas moedas
duas medidas
dois pesos
um leve
outro pesado

copo meio cheio, meio vazio,
nem cá, nem lá.
prá onde?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

dos pés à cabeça

Dos pés à cabeça (Gilberto Gil, 1974)

"Eu estou onde está meu corpo
Meu corpo, onde estão os meus pés
Meus pés, onde está o chão
Ou então
Onde a cabeça
Com seu pensar em vão
Eu estou onde tudo esteja
Ou seja
Onde quer que esteja em mim
O céu, o chão, o não, o sim
A vontade de Deus
O meu corpo todo, eu acho
Vale quanto pesa e sente
Como pensa e é imenso
Como deve ser o vôo
Da terra pra lua
E a noite da lua
E a imensa viagem do dia do sol
E a continuação da imensidão
Pelo corredor da enfermaria
Daquele lugar aonde eu ia (...)"
tentativa de homenagem ao Gil que anda me acompanhando, mesmo sem saber, nos meus momentos de desestabilização.
(ele fez para a Bethânia)

sábado, 11 de julho de 2009

assopro

de que maneira agora vou dar forma a tudo que anda desajeitado?
tirei o chão de mim, flutuo sentindo os tendões arderem, passo o dia numa vertigem absurda, à noite não descanso e o coração bate com força massacrante.
e então, mais um furacão. desses que eu desejei calada, fingindo não desejar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

desejo fútil

não sou mulher de verbo. apesar de todas as palavras escritas aqui, as que eu sei dizer bem, as que eu defino com certeza, apesar de tudo isso, não sinto verbalizar-me.
elas saem da boca, sem parar. não parecem chegam a ouvido nenhum. não penetram.
como se à ti, fosse vazado.
dentro dentro dentro.
de que maneira chegar ao outro para que sinta me. assim como sinto.
de que modo deixar de ser transparente, transponente. de que modo existir
quantos modos de existir e nunca parecer em casa.
busco busco busco. e sinto fútil a necessidade que me vejas. mas sinto e não minto.
nessas palavras, nessa dança toda, nesse viver e caminhar.

sábado, 4 de julho de 2009

de canto de olho

Depois de algum tempo olhando dentro esgotei. Não que não haja mais para onde ver, é só que o olhar anda viciado. As palavras, texto e o mover.
Depois de um cochilo longo no meio da tarde olhei para o céu e ele me disse: minha cor não se define.
De tantas certezas sobre as cores do alto, deixo de olhá-lo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

hoje

meu desejo de estar aqui e agora
minha solidão compartilhada
as lágrimas dos seus olhos verdes,
leve são as coisas que nos deixam
meu corpo denso
a pele rachando
aridez
a comunicação entre umbigos
o sorriso contido, a vontade de rir,
o encontro, o ventre se chocando com o chão
a morte anunciada
a baleia encalhada
as víceras,
coração na boca
outros em mim,
eu do avesso.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

o sonho que rói

(significados que uma vida pode ter, tentativa de buscar sentido:
sinto que tudo já foi dito. e agora só ruídos restam)

DO SONHO:

ruídos idos
quantos ruídos,
quantos vivos,
ruídos novos, ó quantos ruídos
ruins. raros ruídos, de rochas, de falta de tom.
roa-me, roer-se, rua
ruindade nua
a sua,
eu fui bem crua.
As minhas unhas que não se roa nenhuma
porque roer é só por dentro.
romper é só por dentro.
e é todo ilusão.


terça-feira, 23 de junho de 2009

respeito ao olhar para dentro

'não quero ferir ao outro nem por isso quero me ferir'
eu li na lousa do colégio.

vontade sem tamanho de ser (sem tamanho), do meu próprio tamanho.
de olhar a pele, o músculo, o osso. a história toda, as vontades todas, o que é meu de mim (tanto seu também)
Ontem, num ritual de busca, fiz comida, tomei coragem e sai na rua sem lançar mão de recursos automotivos; a pé, contando apenas com o que se deve contar. Depois da torta de limão e alguns poemas do Drummond um filme fútil. Pouco importa. O ritual começou no momento em que eu escolhi peça por peça de roupa, um tênis confortável, livro e água na bolsa. (e subi a Consolação olhando para cantos antes nunca vistos)
Pouco importa o que. eu estava apenas sendo: do doce da torta, às palavras dos poemas, ao picote do ingresso, à futilidade da minha geração.
agora eu quero ser.
despretensiosamente
e quero poder me ser, sem ferir a ninguém.

sábado, 20 de junho de 2009

ao morrer 2

morro um pouquinho
um pouco
de muito
um tanto

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ao morrer

ao acordar com a britadeira da construção ao lado percebi que aqui era também toda britadeira
de modo que, no primeiro bocejo, comuniquei-me ao mundo.
as pedras de dentro se esfacelam e eu tento catar os cacos, olhar os vacuos e me reintegrar.
depois de um dia de coração na boca, parece que morro um pouquinho.
quantas mortes numa vida.

na sombra daquele lugar antigo que diz muito do que não foi possível dizer. no sol macio de outono que me faz desejar flores de ipês. (amarelo)
nostalgia, nostalgia, de toda a mesmisse, ela mesma.
translucido vidro (do que foi) , ele mesmo, existindo (e embassando a minha visão)
eu mesma sendo.
quantas mortes numa vida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

diálogo de barriga

querendo ser precisa deixo margem para tudo e ao mundo. Num mar sem delimitações sinto-me preencher.
por falar em primeira pessoa, por dizer de mim o que é (ou deveria ser) universal.
não consigo falar por outro.
mas há aquela outra: do diálogo de umbigos, comunicação de barriga, não pode dizer-se muito.
a linguagem supera-se?
a linguagem é pouco.
na ingenuidade disso tudo, sinto ser-me.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

vaso

me disseram:

a arte de fazer o vaso é cavar o vazio.

aí não me desespero
esvaziar também é necessário.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

idéia fixa

idéia fixa
mente poluída
notícia bem vinda
o mundo lento
o mundo acelera
quero revolucionar
revolver
ao avesso

terça-feira, 2 de junho de 2009

ressaca

ressaca:
na pele, no osso, no músculo

no músculo

dói muito
mal ando, malandro
maldade

massage
no messages
i miss you