olho paro o dia de dentro
que é noite quente
e ando ardendo sem pudores para palavras
pois você, tela branca, aceita tudo.
e eu, tingida de cores, retiro-me em reticência
...
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
bicho, grilo e havainas
outra gravidade
pouca gravidade
eu grávida de idéias
em estado contemplativo
o pensamento no correr das águas
temperatura ideal
som de bicho
som de mato
som do corpo
todos desejos de renovação
pouca gravidade
eu grávida de idéias
em estado contemplativo
o pensamento no correr das águas
temperatura ideal
som de bicho
som de mato
som do corpo
todos desejos de renovação
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
confissão número 3
Descobriram que o sono não conteve o impulso motor. Caminhei e deitei na cama ao lado. Que sou sonâmbula. Então, a partir de hoje, escondo: eu e a chave da porta que dá para rua. Causa arrepios de repente descobrir-me em lugar qualquer, sem estar eu em mim do jeito habitual, desnudando-me por onde por quem prá que, em sonho...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
ao pé do ouvido
Se boca com palavras
se palavra com boca
se dentadas
se grunhidos
se sussurro
na língua restam outras
na boca
outros
Se dizer faz gritar em silêncio,
calo-me.
E então,
ouve?
se palavra com boca
se dentadas
se grunhidos
se sussurro
na língua restam outras
na boca
outros
Se dizer faz gritar em silêncio,
calo-me.
E então,
ouve?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
ponto, parêntese e reticência
...peço: alguns quilômetros de trilhos para o coração que descarrilha.
espaço e tempo
espaço
espaço e tempo
espaço
e tempo.
abre parêntese
abre parêntese
e também:
pernas novas e fôlego ao corredor cansado
sol para a mulher que madruga
pele
pele
pele
pele
um suspiro
fecha parêntese
sábado, 3 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
do caderninho antigo 1
Só leve como
sopro, só vento.
Sinto só
sonho
Pó,
leve como sopro.
Sol venta
sopro, só vento.
Sinto só
sonho
(...de setembro de 2005)
Pó,
leve como sopro.
Sol venta
terça-feira, 29 de setembro de 2009
das agulhas
Entre uma agulha e outra:
-Como você sente a vida?
-Como assim?
-Assim: como você sente a vida?
-Ai!
...e um monte de sons (que me dizem somente do soar da lingua na boca) e duas risadas, signo claro, sem mais explicações...
Como pode minha dor promover o seu riso?
É assim que sinto a vida.
-Como você sente a vida?
-Como assim?
-Assim: como você sente a vida?
-Ai!
...e um monte de sons (que me dizem somente do soar da lingua na boca) e duas risadas, signo claro, sem mais explicações...
Como pode minha dor promover o seu riso?
É assim que sinto a vida.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
poeirinha
Tio gordo moreno na cadeira de balanço à luz empoeirada da cidade velha, rua da praça, tom sério, me perguntou:
-Cê tem bruchove?
Quase vinte e cinco anos, morena eu também, te imagino ainda gordo, vozeirão.
Digo um pouco, que deste ano, posso afirmar:
-Setembro chooooove!
-Cê tem bruchove?
Quase vinte e cinco anos, morena eu também, te imagino ainda gordo, vozeirão.
Digo um pouco, que deste ano, posso afirmar:
-Setembro chooooove!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
movimento involuntário
ontem, o dia todo, um músculo da face a fez lembrar da contração que provoca o choro
era stress muscular
da cara feia
de cara feia
podem relaxar
pequenos grandes músculos
era stress muscular
da cara feia
de cara feia
podem relaxar
pequenos grandes músculos
terça-feira, 15 de setembro de 2009
brega 1
dois dias faz frio
um dia faz calor
dois dias faz frio
o vidro embassou
na fresta tinha um olho
dois olhos me olharam
dois olhos de verão
primavera que não chega
-prima vera, chegue logo!
eu preciso urgentemente
dois botões
talvez três
outros tantos que nem sei
doem tanto apertados
chegue rápido
venha logo
desabrocho necessário
um dia faz calor
dois dias faz frio
o vidro embassou
na fresta tinha um olho
dois olhos me olharam
dois olhos de verão
primavera que não chega
-prima vera, chegue logo!
eu preciso urgentemente
dois botões
talvez três
outros tantos que nem sei
doem tanto apertados
chegue rápido
venha logo
desabrocho necessário
sábado, 12 de setembro de 2009
pequena reflexão
equilibrista vive
equilibrista um passo após o outro
um pé outro pé
na mão guarda-chuva
desequilibrista vive
sinal da vida é dor
desde o primeiro rompimento
dor é pedido de amor
equilibrista um passo após o outro
um pé outro pé
na mão guarda-chuva
desequilibrista vive
sinal da vida é dor
desde o primeiro rompimento
dor é pedido de amor
domingo, 30 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
esquizofrenia- 3 diálogos
O que escolheram desde então até aqui coube bem.
Caetano e Gil, Chico e Gal, Nara, Tom, Vinícius... todos esses vieram juntos e eu bebi bem, obrigada.
Comi bem, obrigada.
Enchi a cara, barriga e alma de coisas picadinhas, temperadas, amaciadas. Goela a dentro. Tá tudo ainda coladinho no estômago e transpiram dessa pele aqui.
(saem também nos cantarolares inconscientes, perfumam e colorem os sonhos)
Elas me revelam. Revelam nas próprias palavras.
...e degusto. De gosto; que o sabor também mudou, obrigada.
Os outros estão velhos, eu não estou.
- Desculpe, Eu não está!
Não dá tempo
dá tempo
não dá, tempo.
Caetano e Gil, Chico e Gal, Nara, Tom, Vinícius... todos esses vieram juntos e eu bebi bem, obrigada.
Comi bem, obrigada.
Enchi a cara, barriga e alma de coisas picadinhas, temperadas, amaciadas. Goela a dentro. Tá tudo ainda coladinho no estômago e transpiram dessa pele aqui.
(saem também nos cantarolares inconscientes, perfumam e colorem os sonhos)
Elas me revelam. Revelam nas próprias palavras.
...e degusto. De gosto; que o sabor também mudou, obrigada.
Os outros estão velhos, eu não estou.
- Desculpe, Eu não está!
Não dá tempo
dá tempo
não dá, tempo.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
40
desajuste no peito
nos pequenos gestos
nos olhares trêmulos
desajuste do sono
do cheiro
da cama
um sem fim nem começo
efêmero respiro
suspiro quente
calor na nuca
frio da barriga
um presente
da grande ausência
do olhar que me despe
nos pequenos gestos
nos olhares trêmulos
desajuste do sono
do cheiro
da cama
um sem fim nem começo
efêmero respiro
suspiro quente
calor na nuca
frio da barriga
um presente
da grande ausência
do olhar que me despe
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
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